Crônica Cipriânica #6: O Espírito de São Cipriano

Atualizado: 25 de Dez de 2019


O livro O Espírito de São Cipriano é um estudo do Curso de Filosofia Oculta (Módulo 1: Magia na Antiguidade). Ao explorarmos a Tradição Hermética de Mistérios na Antiguidade tardia, é inevitável o encontro com São Cipriano. Como demonstramos neste estudo, São Cipriano representa o arquétipo legítimo do mago hermético da Antiguidade e Idade Média. Ao avaliarmos o mito ou a lenda de São Cipriano através dos elementos que a constroem, percebemos que se tratam de temas legítimos da tradição da magia e Arte dos Magi.

O livro é uma introdução a tradição cipriânica da magia, que formou-se dentro de um caldeirão de influências mágicas que se arrastam no tempo desde a Antiguidade: é possível vê-lo na feitiçaria ibérica e escandinava, nas quermesses do catolicismo popular, no catimbó nordestino, na umbanda e na quimbanda. Através das edições de O Livro de São Cipriano e os estudos que autores modernos como Jake Stratton-Kent, Don Felix Castro Vicente, Nicholaj de Mattos Frisvold, José Leitão, Humberto Maggi, Frater Acher e outros têm contribuído, é possível rastrear as influências que formaram a tradição cipriânica desde a magia copta da Antiguidade. A própria ideia de São Cipriano como santo e feiticeiro transmutou-se no tempo aparecendo de variadas formas em cultos distintos, desde a magia popular europeia as tradições crioulas miscigenadas no caldeirão religioso do Brasil.

No livro São Cipriano trata-se de uma alma deificada que não encarnou no reino da geração, mas uma entidade gerada no útero da Alma do Mundo a partir de séculos de construção mítica tendo como fonte elementos genuinamente mágico-espirituais. Existem vias de estudo, como a linha de raciocínio de Frater Acher em Cyprian of Antioch: A Mage of Many Faces (Quareia, 2017) que buscam elementos reais da existência de São Cipriano, no entanto, ele mesmo concorda que não é possível saber se São Cipriano caminhou entre os vivos ou não. Então a construção da ideia central do livro é a partir da experiência pessoal, concordando que tanto São Cipriano quanto a egrégora que formou-se ao seu redor são projeções que fecundaram a Alma do Mundo, produzindo um espírito deificado que atende feiticeiros e religiosos espalhados pelo globo.

A espinha dorsal do livro é o tema mais importante da tradição da magia e Arte dos Magi: o espírito assistente ou deidade tutelar, modernamente conhecido como Sagrado Anjo Guardião. Essa ideia moderna do Sagrado Anjo guardião é construída a partir de fontes cristãs neoplatônicas, no entanto, trata-se da evolução de um conhecimento arcano que existe desde a gênese da tradição da magia no xamanismo paleolítico, a conjuração e apropriação de um espírito patrono. No curso da história, este conhecimento arcano apareceu de variadas formas no tempo: na magia greco-egípcia dos papiros ele é o paredros; na teurgia clássica neoplatônica, o daimon pessoal; nos mitos de Fausto ele foi seu diabo pessoal, Mefistófeles; nos mitos de São Cipriano, o próprio Diabo; na feitiçaria medieval, o espírito familiar; na magia de Abramelin, o Sagrado Anjo Guardião; na tradição católica, o Anjo da Guarda ou Anjo Apostólico; no xamanismo, o Animal de Poder; nos feitos de Salomão, ele foi o daimon Ornias etc. Através do tempo os magos têm conjurado espíritos familiares para se capacitarem a produzir milagres (taumaturgia) e obter conhecimento oculto. Neste livro, São Cipriano é conjurado como uma deidade tutelar para auxiliar os feiticeiros.

Na magia dos papiros, ao paredros é conferido todo o poder. O poder da deidade tutelar se estende a sua natureza. As deidades tutelares  de um feiticeiro podem ser várias e de vários tipos. Entre as mais poderosas estão os ancestrais (mortos)  - e estes também podem ser de vários tipos e para cada um há uma maneira distinta de trabalho - ou animais deificados. Nos Papiros Mágicos Gregos o paredros mais poderoso parece ser um falcão morto cerimonialmente. A atuação de um espírito não é distinta de sua natureza em vida. Como o mago hermético da Antiguidade almejava que sua alma fosse liberta das catacumbas do submundo, um falcão que alcança os éteres superiores, morada dos deuses e das virtudes celestiais, era apropriado para levar sua alma até estes planos de luz e perfeição. Como podemos ver, a versão moderna desta entidade espiritual acolhe todas as ideias fundamentais de seus protótipos: uma criatura capaz de salvar a alma conduzindo-a no caminho de Deus, revelando-lhe seu destino derradeiro, atuando como guia e guardião. O livro propõe a eleição de São Cipriano como deidade tutelar para auxiliar o mago em sua Arte.


Fernando de Ligório

Curso de Filosofia Oculta


Altar Goético-Cipriânico de Fernando de Ligório


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