VLOG DE UM FEITICEIRO

Vlogs Diários sobre Feitiçaria Tradicional Brasileira

Teurgia Clássica Neoplatônica, Feitiçaria & Magia

na Antiguidade e Idade Média, Magia Salomônica

9/8/2020: O PACTO

Seja bem vindo a mais um vlog aqui no site Filosofia Oculta. O nosso tema de hoje é: O Pacto. Eu abro a discussão com uma citação de Plotino na intenção de abordar o tema de uma perspectiva que ainda não tratei em vídeos ou textos: Esta é a ordem dos mistérios daqui: não expor aos não iniciados; pois o Bem não é demonstrável, deve-se renunciar a mostrar o divino a quem não teve o êxito de ver por si mesmoEnéada: VI 9 [9] 11, 1-4. O famoso pacto com espíritos ou o romântico pacto diabólico da revisão escatológica cristã trata-se de uma prática mágica muito antiga, presente nas inúmeras tradições, cultos, sociedades e culturas animistas e fetichistas e cuja cosmovisão concebia a comunicação com a pluralidade das formas. Filosofias e crenças religiosas de cosmovisão idealista se apartaram dessa ideia de comunicação com a pluralidade das formas e conceberam a ideia de comunicação ou integração apenas com a Unidade subjacente a todas as formas, o Bem. Porfírio, aluno de Plotino e o filósofo que muito influenciou as revisões cristãs pós-agostinianas, cristalizou a ideia de que a conexão, comunicação e trato com criaturas menores (daimones malignos, criaturas telúricas e ctonianas e espíritos dos mortos) causava a anatropia da alma, sua inversão, tornando-a cativa do reino da geração. Apenas o conhecimento e conversação com espíritos maiores poderia inverter o anatropismo natural da alma, dirigindo-a aos éteres superiores das virtudes, luz e perfeição. Não se estabelece um pacto com o Bem, pois ele é revelado aos iniciados, não aos profanos. É o adepto, imantado pela luz que recebeu por mérito que projeta sua alma ao Bem, comungando Dele. Não é o Bem que vem atender o adepto diretamente através de um vínculo (pacto) mágico. O pacto com espíritos diversos do reino da geração envolve magia/feitiçaria; o acesso ao Bem é o âmbito da teurgia. Filósofos/teurgos como Jâmblico e Proclo revisaram as concepções de Porfírio, demonstrando que o teurgo é capaz de usar a teurgia para deificação da alma e para manutenção saudável da vida  no reino da geração. Na Antiguidade na cultura mediterrânea, período do baixo e médio platonismo, os pactos eram práticas imputadas aos feiticeiros (goēs), praticantes de goēteia (feitiçaria), considerados charlatões desde o Séc. V a.C., quando os goēs eram pejorativamente rechaçados como criadores de ilusões, criminosos e mercadores da espiritualidade. O feiticeiro, culturalmente, é uma figura marginal na sociedade ocidental desde a Antiguidade Clássica. No Império Romano, feiticeiros eram condenados a morte, pois os imperadores e o senado de Roma consideravam a feitiçaria uma grande ameaça. De um artigo que estou escrevendo:

Na Antiguidade Clássica, Sécs. VII e VI a.C., o feiticeiro (goēs) através da arte da feitiçaria (goēteia) tratava-se de um indivíduo que se comunicava com mortos. Goēteia é um termo que deriva de goos, que significa lamentação ou choro psicagógico, conectado a ritos fúnebres e invocações aos mortos. Nesse período, os ritos fúnebres de convocação dos mortos ocorriam ao lado das sepulturas dos defuntos, com oferendas, sacrifícios, lamentações e cantos para despertar o nekydaímōn, que significa espírito de um morto. Isso era a goécia por volta do Séc. V a.C. A palavra goēteia com o tempo tornou-se tão elástica quanto a palavra daimon, como já apresentei em textos e vídeos aqui no site. Em ambos os casos entende-se um pelo outro, pois a prática da goēteia acompanhou a evolução ontológica do daimon. Então no pensamento antigo grego (Homero, Hesíodo e Ésquilo), o espírito de um morto (nekydaímōn) passou de entidade presa no submundo (sem poder escapar dele) a entidade que podia visitar os vivos temporariamente, podendo afetá-los. Era esse tipo de espírito de morto, que podia afetar os vivos, a especialidade dos feiticeiros. Na época de Platão, Séc. IV a.C., aos feiticeiros era imputada a pena de morte sem enterro ou rito fúnebre; e por volta do Séc. IV d.C., já havia se cristalizado na cosmovisão dos médio e baixo platonistas que a goēteia tratava-se da aliança com os espíritos dos mortos e criaturas malignas da terra e do submundo.

Os pactosaliançascompromissos e juramentos estão diretamente associados a pluralidade das formas e na revisão escatológica pós-agostiniana, tornaram-se objeto de muita perseguição. A cosmovisão cristã é muito limitada! Ela concebe a presença de poucos agentes espirituais: Deus, anjos, demônios e mortos. Qualquer contato espiritual fora de seus métodos para comunhão com Deus e os anjos, bem como saudação aos mortos, é considerado maligno, ímpio, inapropriado, pois trata-se do contato com demônios travestidos de deuses, espíritos diversos etc. Pactos são estabelecidos com espíritos através de tecnologia mágica (feitiçaria/magia); com o Bem se estabelece uma comunhão através do merecimento e da virtude pessoal através de tecnologia mística (teurgia).

11/8/2020: A MISTIFICAÇÃO & O PACTO COM LÚCIFER

Seja bem vindo a mais um vlog aqui no site Filosofia Oculta. O nosso tema de hoje é: A Mistificação & o Pacto com Lúcifer. Em detrimento dos últimos vlogs carregados no You Tube, eu recebi  algumas indagações, as quais respondo no vídeo: i. a mistificação na mediunidade e ii. o Pacto com Lúcifer na Quimbanda. É sobre esses temas que vamos estudar um pouco hoje.

12/8/2020: A MAGIA SEXUAL & OS DEUSES ANTIGOS NA QUIMBANDA

Seja bem vindo a mais um vlog aqui no site Filosofia Oculta. O nosso tema de hoje é: A Magia Sexual & os Deuses Antigos na Quimbanda. O vlog de hoje é continuação do anterior em função das perguntas enviadas: i. o uso da magia sexual nos ritos de Quimbanda e ii. a invocação/adoração de deuses antigos na Quimbanda. É sobre estes temas que estudaremos um pouco hoje.

13/8/2020: QUIMBANDA CRUZADA COM MAGIA UNIVERSAL

Seja bem vindo a mais um vlog aqui no site Filosofia Oculta. O nosso tema de hoje é: Quimbanda Cruzada com Magia Universal. O vlog de hoje é a resposta a uma pergunta recorrente: Fernando, sua Quimbanda também é cruzada com magia universal? A resposta a essa pergunta é: toda Quimbanda é cruzada com magia universal, caso não fosse, não funcionaria. Pelo termo magia universal compreende-se um tipo de magia ou prática mágica que existiu em todos os lugares em eras diferentes e subjaz no âmago de culturas animistas e fetichistas; em outras palavras, a feitiçaria, o xamanismo tribal, aborígene, primitivo, paleolítico (universal), não sistemas distintos que se manifestaram com cosmovisões antagônicas em lugares e tempos diferentes (thelema, magia salomônica etc.). É essa feitiçaria de tipo universal que está presente em todas as Quimbandas. Seguindo este esclarecimento, entramos no tema das correntes mágicas, filosóficas e religiosas que alimentaram a formação do Culto de Exu no Brasil, dando nascimento a Quimbanda, a feitiçaria tradicional brasileira, como um sistema próprio, emancipado e independente de magia. Como um sistema fechado, antagônico e adversário a tradição judaico-cristão, a Quimbanda não aceita a cosmovisão e metalinguagem escatológica judaico-cristã; isso significa que os nomes divinos (associados as letras hebraicas) não têm poder algum dentro da Quimbanda, assim como símbolos, ideias ou filosofia judaico-cristã. Associado a este tema, discutimos a imprecisão mágica de se misturar uma prática teúrgica-idealista com um um sistema mágico-animista (fetichista), criando um verdadeiro aborto espiritual.

14/8/2020: QUIMBANDA TEURGIA-GOETIA

Seja bem vindo a mais um vlog aqui no site Filosofia Oculta. O nosso tema de hoje é: Quimbanda Teurgia-Goetia. Nós tratamos deste tema na última postagem da aba de Novas Reflexões (entrada de 12/8/2020), onde uma introdução concisa é apresentada. No início do vídeo esclarece-se a Quimbanda como uma goécia brasileira; seguimos explorando a ideia de espíritos evoluírem, demonstrando que este não é um dogma da Quimbanda, e finalmente passamos a teurgia necromântica da Quimbanda.

20/8/2020: A QUIMBANDA & O CULTO AO DIABO 

Seja bem vindo a mais um vlog aqui no site Filosofia Oculta. O nosso tema de hoje é:  A Quimbanda & o Culto ao Diabo. Eu tratei do assunto na aba de Reflexões (entrada de 20/5/2020). Reproduzo o texto e seguimos estudando no vídeo:

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Por meio da influência cipriânica da magia (feitiçaria ibérica popular), a tradição de Quimbanda ou feitiçaria tradicional brasileira é uma herdeira genuína do Culto do Diabo. Durante a Idade Média e Moderna, os inquisidores do Santo Ofício, treinados pelos manuais de demonologia que se espalhavam pela Europa, procuravam pelos vestígios de três crimes contra a fé cristã: o Pacto com o Diabo, a Marca do Diabo e a participação no Sabbath das Bruxas. Estes três crimes contra a fé cristã sobreviveram na tradição de Quimbanda e formam um tripé de sustentação.

   O Pacto com o Diabo: A ideia de pacto com espíritos ou de pacto com o diabo como desenvolvida desde que os mitos de Fausto e Mefistófeles começaram a se espalhar pela tradição oculta está associada à doutrina do espírito tutelar, presente também na tradição cipriânica da magia (feitiçaria ibérica popular) e na tradição salomônica. Fausto teria, após uma série de invocações, assinado um pacto com Mefistófeles que, a partir daquele momento, tornou-se seu espírito tutelar, um diabo pessoal. São Cipriano, assim como Fausto era um mago poderoso do imaginário popular e também teria aprendido magia diretamente de sua associação com um diabo pessoal. Essa ideia de associação íntima com um espírito tutelar é consistentemente desenvolvida nos papiros gregos na relação que o feiticeiro deve construir com o paredros. Soldo: o poder que Salomão possuía, assim como as figuras míticas de Fausto e São Cipriano, bem como outros grandes magos da Antiguidade clássica e tardia como Simão o Mago, provinha diretamente de sua associação e pacto com espíritos, melhor dizendo, conhecimento e conversação com eles. O pacto com espíritos como o conhecemos hoje é o Conhecimento & Conversação com o Espírito Tutelar, o daimon (ou demônio) pessoal que nos acompanha na jornada magística. Fazer um Pacto com Diabo, em essência e desde os primórdios da magia, trata-se de obter um espírito tutelar. Essa ideia está presente na feitiçaria tradicional brasileira no pacto que o feiticeiro-kimbanda estabelece com seu Exu Tutelar no curso do Ritual de Iniciação.

   A meta de todo feiticeiro como ilustrado romanticamente nos mitos de Fausto e São Cipriano é o Conhecimento & a Conversação com o Espírito Tutelar na intenção de receber dele instrução secreta de feitiçaria, obtenção de sabedoria oculta e poderes magísticos. Tudo isso o Diabo pode prover! A Confessio Cypriani narra os poderes adquiridos por São Cipriano através de sua relação com o Diabo. Afundar navios, fazer água aparecer no deserto, ter controle sobre correntes aéreas etc. são atos dignos de personagens como Moisés e Salomão; mesmo sendo eles fictícios, ilustram a busca fundamental do feiticeiro. Fausto, imerso em uma lúgubre floresta à noite, quando encontrou um «caminho cruzado», invocou em nome do «Príncipe dos Diabos» o seu diabo pessoal, Mefistófeles, e com ele estabeleceu um pacto e adquiriu conhecimento arcano secreto. Por «caminho cruzado» entenda encruzilhada; por «Príncipe dos Diabos» entenda V.S. Maioral. Reside aí no mito faustino a construção da hierarquia espiritual e que sobreviveu na tradição de Quimbanda no ordenamento em falanges os Exus e Pombagiras, as Hordas de V.S. Maioral. É Maioral que «libera» o Exu Tutelar ao feiticeiro-kimbanda, uma herança hierárquica observada na tradição salomônica (e por extensão na magia de Abramelin), na teurgia clássica neoplatônica e feitiçaria popular europeia. Maioral é para um feiticeiro-kimbanda o que o Espírito da Natureza (o Diabo) era para as feiticeiras ibéricas exiladas no Brasil. Maioral foi um título dado ao Diabo como Regente do Inferno no Séc. XVI pelos inquisidores do Santo Ofício.

   A Marca do Diabo: A marca do diabo atestava, portanto, que existia uma forma de comunicação oculta entre as bruxas e o Diabo. A literatura mágica e os autos da Inquisição trazem histórias e relatos de feiticeiras que mantinham conexões com forças diabólicas, diabos pessoais (diabretes), os quais eram alimentados diariamente com sangue delas através do dedo mindinho ou outra parte do corpo. A marca do diabo era a cicatriz que a feiticeira carregava por alimentar seu diabo pessoal. No Ritual de Iniciação, o feiticeiro-kimbanda ganha a Marca do Diabo: pequenos cortes que recebem – e portanto selam o compromisso – o sangue do animal sacrificado, compartilhado entre o feiticeiro e o Exu Tutelar. O sangue retirado desses cortes é introduzido diretamente no assentamento do Exu Tutelar. Como uma genuína herança da feitiçaria ibérica e da tradição dos grimórios modernos, o Pacto estabelecido entre o feiticeiro e seu Exu é de sangue.

   O Sabbath das Bruxas: O sabbath ou a festa das bruxas era a suposta adoração romântica do Diabo na calada da noite em florestas sinistras. O encontro noturno esperava-se ocorrer à meia noite, quando o Diabo em pessoa apareceria para as feiticeiras em uma festa orgástica. Embora nos autos da Inquisição não conste nenhum relato de feiticeiras flagradas adorando o Diabo em festas e bacanais, há relatos de testemunhos, muitas vezes tecidos pelas próprias bruxas, da realização do sabbath. Na tradição de Quimbanda, o Sabbath das Bruxas são as Giras que ocorrem na Hora Grande, a partir da meia noite, quando Maioral vem autorizar a presença dos Exus e Pombagiras.

   O exercício da feitiçaria tradicional brasileira, a Quimbanda, envolve um aprofundamento em círculos cada vez mais concêntricos de obscuridade. Quanto mais fundo nos lançamos ao perigoso entrecruzamento de forças nos Reinos da Quimbanda, mais a compreensão de sua sabedoria se torna densa, obscura e sinistra. O véu que esconde toda essa sabedoria arcana, sinistra e obscura é um folclore confuso, no entanto, vertiginosamente dinâmico e criativo.

   Kobá Maioral é Rei!

26/8/2020: QUIMBANDA - TUDO - JUNTO & MISTURADO

Seja bem vindo a mais um vlog aqui no site Filosofia Oculta. O nosso tema de hoje é:  Quimbanda - Tudo - Junto & Misturado. Nossa reflexão parte de uma pergunta das muitas similares que nos enviam: Posso utilizar símbolos e elementos de O Livro de São Cipriano na Quimbanda? A resposta direta é NÃO, por muitos motivos. Primeiro que a Quimbanda é um sistema brasileiro de feitiçaria que tem seu próprio sistema e não precisa (necessita) de absolutamente nada de outros sistemas, mesmo que estes tenham influenciado sua gênese.

   Segundo que a Quimbanda se baseia no que nós chamamos de espiritualidade pé no chão, quer dizer, existe no auxílio e cumprimento do Destino de cada feiticeiro-kimbanda um espírito tutelar, Exu ou Pombagira, guiando seus passos, zelando por seu desenvolvimento espiritual, cuidando e protegendo sua vida secular. Isso significa que na Quimbanda ninguém age ou toma decisões sem orientação de seus guias e mestres. Qualquer coisa que se queira introduzir nos fundamentos deve ter a orientação espiritual do Exu ou Pombagira tutelar.

   Terceiro que a Quimbanda não tolera metalinguagem ou cosmovisão judaico-cristã. Muitos dos elementos e símbolos contidos em O Livro de São Cipriano embora tenham uma antiguidade pré-cristã, são coloridos pelas lentes do cristianismo (mesmo que a magia cipriância não esteja totalmente alinhada as crenças cristãs). Muitos outros pontos podem ser inumerados. Mas estes três são o suficiente para o rápido entendimento da ideia de que um sistema não cabe dentro do outro como se tudo pudesse ser colocado junto e misturado. Embora a feitiçaria ibérica europeia tenha influenciado a gênese da Quimbanda com muitos elementos, além de não representar sua totalidade, trata-se de tradições distintas que lidam com criaturas espirituais diferentes. É por isso, por exemplo, que é um non sense tentar comparar daimones gregos a Exus e Pombagiras.

29/8/2020: ALQUIMIA MÍSTICA NO CULTO DE EXU

Seja bem vindo a mais um vlog aqui no site Filosofia Oculta. O nosso tema de hoje é:  Alquimia Mística no Culto de Exu. Nós estamos sempre tratando deste assunto em nossos vlogs e textos, principalmente àqueles conectados a séria Tradição das Sombras e que estão disponíveis na aba de Artigos, sendo eles: 1. A Quimbanda & o Caminho da Mão Esquerda; 2. O Progresso da Ignorância e; 3. A Alquimia Negra do Culto de Exu. Após o lançamento do ensaio Os Sete Reinos de Quimbanda & os Povos de Exu e Pombagira (Parte . I .), disponível também na aba de Artigos, estou preparando a Parte . I I . que trata mais profundamente da alquimia interna na alma que ocorre na interação com os Sete Reinos e suas contrapartes na estrutura da alma. Esse foi o tema de nosso vlog de hoje, a alquimia mística do Culto de Exu.

 

10/9/2020: SE É VERDADE TEM QUE FUNCIONAR

Seja bem vindo a mais um vlog aqui no site Filosofia Oculta. O nosso tema de hoje é:  se é verdade tem que funcionar. Esse é um dos lemas de nossa casa, o Terreiro de Quimbanda Cova de Cipriano Feiticeiro. Ele parte do esclarecimento de que se a Quimbanda que você pratica é real, é Boa, quer dizer, tem fundamento que proporcione resultados tangíveis e reais, não há possibilidade de não funcionar. No vlog dois pontos são abordados:

   A questão dos fundamentos: Infelizmente há muitas casas desfundamentadas. Pouco tempo atrás eu encontrei três assentamentos na estrada jogados fora. Neles não havia Okutá e ao invés disso, brita e massa de concreto com alguns búzios e favas. É lógico que a vida de quem cultuava Exu nesses assentamentos não teria a mínima condição de ir para frente. Exu é movimento. Não se usa concreto em assentamento de Exu. É por isso que eles foram jogados fora (veja toda essa jornada e desmanche dos assentamentos no meu Instagram).

   A questão da iniciação, conhecimento e domínio de si mesmo: Muitas vezes o problema não está no fundamento, mas no próprio feiticeiro-kimbanda. Um Mestre de Quimbanda é um mestre da vida e essa ideia vem da cultura bantu. Como falei em outros vídeos, a prosperidade e abundância de um kimbanda na cultura bantu é sinônimo de sua conexão com os espíritos ancestrais. Vida difícil e complicada - como de qualquer pessoa profana não-iniciada - é sinônimo de desconexão com os espíritos e, portanto, não se trata de uma pessoa adequada para exercitar o sacerdócio da comunidade. As dificuldades materiais são as primeiras sanadas através da prática de uma Boa Quimbanda.

   Ainda dentro deste ponto, vem a superação das engrenagens escravocratas que limitam nossa existência, que podam nosso potencial espiritual. Embora as pessoas não se deem conta, estamos atados a um sistema que drena nossas forças. Um feiticeiro-kimbanda deve saber reconhecer essa engrenagem e fazer de tudo para se emancipar dela. Isso aproxima a Quimbanda completamente do Caminho da Mão Esquerda: a superação e libertação do arreio do sistema. Você está preparado ou disposto? 

13/9/2020: A QUIMBANDA PELA TRADIÇÃO DE QUIMBANDA

Seja bem vindo a mais um vlog aqui no site Filosofia Oculta. O nosso tema de hoje é:  a Quimbanda pela tradição de Quimbanda. O Culto de Exu no Brasil é independente! Pense nessa designação, Culto de Exu, com atenção! Não se trata de culto aos Òrìṣà e muito menos está atrelado - antagonizando à esquerda - a Lei de Umbanda, a Lei do Karma ou a teoria evolucionista de Charles Darwin (1809-1882) que solapou o Espiritismo de Allan Kardec (1804-1889) e a Teosofia de H.P. Blavatsky (1831-1891), produzindo a noção equivocada de que espíritos evoluem. Nada disso! O termo Culto de Exu designa o culto exclusivo aos Poderosos Mortos, os Exus e Pombagiras e cujo objetivo é a expansão do Reinado do Chefe Império Maioral.

   O Culto de Exu possui teologiateogoniafilosofialiturgiacosmovisão e metalinguagem próprios. A feitiçaria tradicional brasileira (Quimbanda) não assume a ideia de que espíritos evoluem! A Quimbanda entende que é no curso da encarnação que todos nós temos a oportunidade de evoluir; quem morre ladrão permanece ladrão; quem morre bandido permanece bandido etc., égún errantes e desfragmentados nos domínios do Chefe Império Maioral; quem deifica e emancipa sua alma resplandece nesse Reinado, coeso e reluzente com as virtudes do caráter forte, da honestidade e da lealdade, da força e da honra. Exus e Pombagiras são mestres da magia e da sabedoria; por terem vivido entre nós, eles conhecem como ninguém a natureza humana e podem interceder em nosso favor; por serem almas deificadas nos Reinos da Quimbanda, adquiriram a sabedoria, a grandeza e a nobreza espiritual  que os capacita a nos guiarem até o derradeiro destino de nossas almas. O termo Exu ou Pombagira designa maestria e nobreza espiritual; os Poderosos Mestres são Guias e Mestres da humanidade.

   Dessa maneira, não é real a afirmação de que na Quimbanda existem Exus PagãosBatizadosEspadadosCoroados etc. Exu de Quimbanda não evolui! Ele é Mestre e Guia da humanidade e em grau de evolução é muito maior que os seres humanos encarnados. Na tradição de Quimbanda é o homem que evolui e acerta o passo com auxílio de Exu, não o contrário.

Quando falamos de Quimbanda não estamos nos referindo ao culto à esquerda de outras religiões. Falamos de uma Quimbanda independente, que possui ritos e liturgia próprios, deidades e maneiras de trabalho também específicas. Falamos da Quimbanda ancestral, cujos ensinamentos são provenientes dos negros escravizados, dos indígenas donos da terra e dos feiticeiros europeus que, na época da grande caçada, se camuflaram para garantir a sobrevivência de seu povo. Essa é a Quimbanda que nos ampara e nos sustenta a cada dia, trazendo-nos luz, direcionamento e vivência. (Eduardo Lima, Reflexões Noturnas: O Lado Oculto de Exu, Editora Aruanda, 2020).

 

17/9/2020: QUIMBANDA INICIÁTICA

Seja bem vindo a mais um vlog aqui no site Filosofia Oculta. O nosso tema de hoje é:  Quimbanda Iniciática. A grande maioria dos praticantes de Cabalá Crioula ou dos consulentes de tradições afro-brasileiras têm uma noção equivocada acerca da Quimbanda, tida como uma arte diabólica de feitiçaria e magia - romanticamente é isso mesmo - e cujas entidades são ávidas por sangue e deleites dos vivos enquanto incorporados em seus médiuns. Pura ignorância. Mas é possível reconhecer a gênese desse processo historicamente. A cultura kimbundu-bantu acredita que os espíritos ancestrais podem interferir na vida de seus familiares trazendo sorte e azar, crescimento ou destruição, em decorrência das ações dos familiares vivos. Os Exus e Pombagiras de Quimbanda (e que se manifestaram pela primeira vez nas casas de Macumba no Rio de Janeiro do início do Séc. XX), ancestrais divinizados do culto, incorporam essa característica: eles poder ajudar alguém a crescer ou podem derrubá-lo; eles trazem sorte ou azar, incorporando também o arquétipo anti-cósmico e trapaceiro do Èṣú Òrìṣà da cultura nagô-yorubá, o que influenciou ainda mais a incompreensão dos Exus e Pombagiras de Quimbanda devido a uma visão de mundo refratada pelas lentes da cristandade.

   Com a revolução umbandista de 1940, quando Exu invadiu a Tenda Espírita São Jorge no Rio de Janeiro, nasce uma miríades de teorias umbandistas acerca da natureza desses mestres e guias da humanidade, primeiro tidos como demônios, depois como guardiões e executores da lei, depois como amigos e guias espirituais etc. Nesse alvoroço confuso de ideias proliferou-se a noção equivocada que a Quimbanda como prática separada da Umbanda e sua legião de exus pagãos, quer dizer, não doutrinados pelas ideias cristãs e kardecistas que a Umbanda traz desde sua gênese, trata-se de uma ferramenta para fazer qualquer tipo de demanda. Enquanto os Exus batizados e coroados da Umbanda, doutrinados e catequizados, servem as casas e os guias como protetores, os Exus de Quimbanda podem atacar, ferir ou destruir qualquer pessoa, associação ou empreendimento. Mas essa é a visão da Umbanda sobre a Quimbanda.

   Teci algumas palavras sobre isso na aba de Reflexões (entrada de 17/9/2020) hoje e creio que ela ajudará a digerir essas ideias. A genuína Quimbanda é completamente independente das noções umbandistas e a visão que eles têm do mundo e potências espirituais. A boa e genuína Quimbanda é iniciática, está comprometida com a iniciação de seus adeptos para que se tornem mestres e guias da humanidade no pós-vida nas Falanges do Chefe Império Maioral. É uma ideia difícil de ser compreendida pela grande ignorância cultural que cerca a Quimbanda. Em uma nota do Instagram, eu escrevi:

Quimbanda é Liberdade! Ela capacita o adepto a «caminhar com suas próprias pernas» sendo orientado diretamente por seu guia e mestre, o Exu tutelar. Àqueles que precisam de seu iniciador para se comunicar com seus guias espirituais são, em verdade, escravos iludidos. Uma verdadeira e genuína iniciação na Quimbanda confere ao adepto total e completa independência para tratar tudo diretamente com seu Exu tutelar. Qualquer sacerdote que se proponha a ser o intermediário entre você e seu Exu tutelar, em verdade, quer lhe enganar, lhe roubar, lhe drenar, lhe vampirizar! Uma das ferramentas de independência do Culto de Exu é o oráculo, os «Caurís dos Exus». Através deles o adepto está apto a comunicar-se diretamente com seu Exu tutelar e receber dele orientações para vida: comportamento, emoções e o gerenciamento das faculdades da mente e consciência; e seguindo a fórmula mágica universal presente na Quimbanda, orientações pessoais para uma prática de feitiçaria pessoal. Quimbanda é verdadeiramente um exercício pessoal de feitiçaria. A Quimbanda, a genuína «feitiçaria tradicional brasileira», é herdeira de uma tradição mágica ancestral e universal, contendo fórmulas mágicas para emancipação da alma e a capacitação total do adepto para tornar-se um Mestre da Vida!

O vlog de hoje aborda esse tema pontuando a questão do trabalho espiritual. Muitos chegam a Quimbanda desorientados, querendo que o feiticeiro resolva as demandas mais triviais da vida com rapidez e eficiência: amarrações, destruições etc. Isso tudo é praticado na Quimbanda sim, não se engane. Mas a Quimbanda não oferece só isso! Ela oferece muito mais. Um feiticeiro-kimbanda é um curador da alma e muito além de trabalhos diversos ele pode auxiliar nas raízes mais profundas que são, em verdade, a semente ou broto dos problemas da vida. Mas do mesmo modo que não podemos dar aquilo que não temos, também não podemos receber aquilo que não estamos preparados. Finalizo com uma reflexão da Sacerdotisa da Cova de Cipriano Feiticeiro, Priscila Pesci, publicada em seu Instagram:

Oracular é um ofício que demanda responsabilidade e delicadeza. O oraculista é interlocutor, comunicador entre a espiritualidade e o consulente. Muitas vezes a mensagem que você vai receber não será a que você quer ouvir, mas a que você merece ouvir nesse momento. E se você chegou até mim tem um motivo espiritual. Eu não manipulo oráculos e não faço nenhuma magia sem a autorização de meus guias. Minha prosperidade vem do amor, entrega e alianças que tenho para com Eles. Sou uma serva deles. Meu compromisso não é fazer diversos trabalhos espirituais, isso é apenas uma consequência.  Meu trabalho é zelar pelo culto e como zaladora eu devo escutá-los. 

 

21/9/2020: PONTO RISCADO - MANIPULANDO O MOYO

Seja bem vindo a mais um vlog aqui no site Filosofia Oculta. O nosso tema de hoje é:  Ponto Riscado - Manipulando o Moyo. Desde a aurora da humanidade o homem tem utilizados símbolos diversos para se comunicar com o sobrenatural, que preferimos chamar ou reconhecer como mundo espiritual. Por diversas vezes eu tenho afirmado que não há nada de novo na Quimbanda: nós repetimos os mesmos exercícios que os feiticeiros de outrora praticaram; e é por isso que a Quimbanda funciona, porque ela repete tudo o que tem funcionado para os feiticeiros do passado. O ponto riscado é uma tecnologia mágica de manipulação da energia vital (moyo para cultura kimbundo-banto e àṣẹ para cultura nàgô-yorubá). Como vimos em um vlog anterior (entrada de 4/4/2020), a manipulação da energia vital é de grande importância para as culturas da África que alimentam a Quimbanda, mas sem erro de errar trata-se de uma preocupação universal da tradição da magia.

   Na tradição do Candomblé, um culto brasileiro de reverência aos òrìṣà, a ìyálàṣẹ, quer dizer, a mãe de santo detentora e zeladora do àṣẹ, é responsável por transmiti-lo aos ìyàwó (filhos de santo) no curso e procedimentos da iniciação, no contato e convívio pessoal, nas instruções espirituais místicas e mágicas do culto, nos rituais e purificações diversas. Em um vlog anterior (entrada de 23/7/2020) eu havia dito que o àṣẹ tratava-se do relicário sagrado das tradições de cabalá crioula. No Candomblé a ìyálàṣẹ é responsável por gerir uma zona de poder mágica, o ilé (casa) ou egbe (terreiro). Ela planta o àṣẹ dos òrìṣà em pontos de força específicos da casa e em cada um dos iniciados, transformando o terreiro/casa em um organismo vivo de àṣẹ, energia vital. A cada benção da ìyálàṣẹ, a cada rito e sacrifício propiciatório aos òrìṣà, a cada ponto cantado, a cada firmeza e a cada vela acesa, o iniciado aumenta o qualitativo de àṣẹ pessoal.

   Na Quimbanda não é diferente. Alguns segmentos de Quimbanda de orientação nàgô-yorubá utilizam os termos e conceitos dessa cultura; outros seguimentos de orientação kimbundo-banto têm preferido utilizar as terminologias dessa cultura. Mas quando falamos de Quimbanda – e vasculhamos a sua gênese verdadeira – notamos que a sua orientação metafísica e cosmológica têm profundas raízes bato. No vlog de 4/4/2020 eu chamei a atenção ao valor que a energia vital tem como eixo central de equilíbrio da cultura banto, ressaltando a ideia de que a conexão espiritual que um sacerdote kimbanda tem com os espíritos ancestrais do culto é mensurada através da sua capacidade de manipular e plantar a energia vital, e que isso é demonstrado através de uma vida próspera e abundante (além das taumaturgias evidentes). Quanto mais perto dessas entidades, maior o nível de força vital, quanto mais afastado, maior a debilidade.[1]

   Os pontos riscados que hoje traçamos na Quimbanda, embora de herança universal na tradição da magia, foram profundamente influenciados pelo que se conveniou chamar de magia cerimonial medieval, a tradição dos grimórios e feitiçaria popular europeia. Mesmo que os Calundus coloniais já tivessem feito uso dessa tecnologia mágica, foi só na Cabula que eles começaram a se cristalizar como hoje os conhecemos. Da Cabula capixaba a Macumba carioca e, posteriormente, a Quimbanda e Umbanda. Nestas duas últimas tradições, distintas em filosofia, cosmovisão e metafísica, mas similares em ritualística, os pontos riscados apresentam diferenças tangíveis, sendo eles classificados em: i. assinatura mágica da entidade, sua impressão digital; ii. trabalhos espirituais diversos: descarrego, abertura de caminhos, atração, contenda etc.

   Os pontos riscados, devidamente traçados e ativados, têm a função de manipular a energia vital abrindo ou fechando portais espirituais. É sobre isso que vamos conversar no vlog de hoje.

 

NOTA:

[1] Robert Daibert, A Religião dos Bantos: Novas Leituras sobre o Calundu no Brasil Colonial. Artigo publicado em Estudos Históricos (Vol. 28, No. 55). Rio de Janeiro, 2015.

29/9/2020: LINHAS, REINOS, INICIAÇÃO & ESPIRITUALIDADE NA QUIMBANDA

Seja bem vindo a mais um vlog aqui no site Filosofia Oculta. O nosso tema de hoje é:  Linhas, Reinos, Iniciação & espiritualidade na Quimbanda. Respondendo indagações sobre esses temas, no vídeo tratamos:

   1. Linhas e Reinos: Já enfaticamente demonstrado neste site através de textos e vídeos, as famigeradas sete linhas de Quimbanda foram uma construção fantasiosa do autor Lourenço Braga em 1942, mas que serviram de inspiração a estrutura dos Sete Reinos de Quimbanda.

   2. Iniciação: Em nossa casa, o Terreiro de Quimbanda Cova de Cipriano Feiticeiro, a iniciação é um processo ritualístico de sete dias idealmente. Contanto com ritos estruturais, ela se abre a espiritualidade pessoal de quem passa pela iniciação.

   3. Espiritualidade: A Quimbanda fornece um sistema de equilíbrio próprio para alma de cada um de seus adeptos no conhecimento e conversação com os Poderosos Mortos, uma alquimia negra de refinamento espiritual.

   É sobre isso que tratamos nesse vídeo.

 

1/10/2020: INICIAÇÃO & CULTO DE EXU, ORÍ NA QUIMBANDA, THELEMA & QUIMBANDA

Seja bem vindo a mais um vlog aqui no site Filosofia Oculta. O nosso tema de hoje é:  Iniciação & Culto de Exu, Orí na Quimbanda, Thelema & Quimbanda. Respondendo indagações sobre esses temas, no vídeo tratamos:

   1. Iniciação & Culto de Exu: Você não precisa, efetivamente, ser iniciado na Quimbanda para cultuar Exu e Pombagira. Há procedimentos espirituais que podem ser feitos e que não exigem iniciação. No entanto, há procedimentos que exigem e sem iniciação não é indicado tentar executá-los.

   2. Orí na Quimbanda: Em textos da aba de ReflexõesQuimbanda não trata a Cabeça (entrada de 22/4/2020) e A Alquimia Espiritual do Culto de Exu #1 (entrada de 10/5/2020) e #2 (entrada de 12/5/2020), foi resumida a ideia de trato (ou alimento) do Orí na Quimbanda, tema deste vídeo. 

   3. Thelema & Quimbanda: depois de alguma reflexão, encontrei pontos de convergência filosófica entre Thelema e a Quimbanda.

   É sobre isso que tratamos nesse vídeo.

15/10/2020: TRÊS TRONCOS DE QUIMBANDA | CULTO DE EXU FORA DE TERREIROS

Seja bem vindo a mais um vlog aqui no site Filosofia Oculta. O nosso tema de hoje é:  Três Troncos de Quimbanda no Brasil & o Culto de Exu fora dos Terreiros. O primeiro tópico sobre os Troncos de Quimbanda no Brasil é um chamado a leitura das últimas postagens na aba de Novas Reflexões (entradas de 6, 8 e 11/10/2020) que tratam sobre o tema.

   O segundo tópico é uma resposta a pergunta enviada: é possível cultuar Exu e Pombagira fora dos terreiros? É perfeitamente possível! Exus e Pombagiras são espíritos de nossa cultura e estão muito próximos dos brasileiros, estão muito próximos da condição humana, mas são superiores em níveis de evolução espiritual. Eles passaram por tudo o que nós passamos e transcenderam a transitoriedade humana na deificação de suas almas.

   A Quimbanda baseia-se em uma fórmula mágica de escopo universal, apresentada tanto nos mitos de São Cipriano quanto de Fauto, na Magia Sagrada de Abramelin, na teurgia neoplatôpnica e na goécia medieval: o conhecimento e a conversação com o espírito tutelar. Essa é uma fórmula mágica presente na Tradição Ocidental de Mistérios desde os Papiros Mágicos Gregos, um compêndio de rituais e feitiços para diversos fins, inclusive para aquisição do espírito tutelar, que datam da Antiguidade tardia (Séc. II d.C.).

   O feiticeiro estabelece contato com um espírito tutelar e recebe dele instruções mágicas, as quais ele coloca em prática, verifica sua efetividade e, com o tempo, oferece serviços mágicos a clientes necessitados. Veja que a Quimbanda não apresenta nada de novo; ela apenas repete as mesmas fórmulas mágicas dos magos do passado. Eu venho abordando este tema em textos e vídeos há pelo menos dois anos.

   Assim, inferindo a partir dessa fórmula mágica, vê-se que a Quimbanda se trata de um exercício individual de feitiçaria; dessa forma, sua prática ideal é fora dos terreiros. Isso, no entanto, não invalida o papel do Mestre (Tatá) que é parte fundamental da fórmula mágica, em quatro etapas: 1. preparo para chegada do mestre; 2. o encontro com o mestre que ensinará o discípulo a comunicar-se com seu espírito tutelar; 3. o conhecimento e conversação com o espírito tutelar e o recebimento de ensinamentos mágicos; 4. o trabalho sacerdotal de auxílio a comunidade através de serviços mágicos para todos os fins.

20/10/2020: EXU NÃO É FUNCIONÁRIO DE FEITICEIRO

Seja bem vindo a mais um vlog aqui no site Filosofia Oculta. O nosso tema de hoje é:  Exu não é funcionário de feiticeiro. O Exu Tutelar não está à serviço do feiticeiro como se fosse um funcionário, um empregado. Exu é Mestre e Guia da humanidade. Como tal ele merece o maior respeito e as maiores honrarias. Na Boa Quimbanda nada é feito da cabeça do feiticeiro; nada é feito a revelia dos guias espirituais. Na Boa Quimbanda o feiticeiro tem espiritualidade, quer dizer, ele é assistido espiritualmente por um ou mais guias tutelares. Ter espiritualidade, portanto, é agir em sincronia com a assistência espiritual. Ser assistidoinstruído e guiado por uma deidade tutelar tem sido o Arcano Mágico par excellence da tradição da magia. Trata-se da busca fundamental de todo genuíno feiticeiro. O que adianta ser assistido por um Exu Tutelar e fazer as coisas (ações magísticas) a revelia de sua avaliação? Não é ele o mestre-orientador? Então, a orientação vem dele!

   Essa é uma regra que vale para tudo na Boa Quimbanda, o que inclui o feitio de trabalho para consulentes. A orientação em nossa tradição é sempre consultar o Exu Tutelar sobre qualquer trabalho requerido por consulentes.

 

22/10/2020: INICIAÇÃO & EDUCAÇÃO ESPIRITUAL

Seja bem vindo a mais um vlog aqui no site Filosofia Oculta. O nosso tema de hoje é:  Iniciação & Educação Espiritual. Muitos buscam informações sobre iniciação na Quimbanda. Mas será que estão preparados para o conhecimento e conversação com os Poderosos Mortos? A Quimbanda é quem escolhe os seus adeptos, não o contrário. São os Exus e Pombagiras que direcionam seus filhos ao caminho da iniciação. Portanto, trata-se em verdade de um chamado. Este chamado acompanha uma entrega, uma oferenda de troca de àṣẹ. Um sacerdote não vende iniciações como se tratasse de um produto. Abordá-lo dessa forma é uma ofensa ao ofício sacerdotal.

FERNANDO DE LIGÓRIO

Fernando de Ligório é um hermetista praticante, escritor interessado em Teurgia Neoplatônica, Tradição Salomônica e dos Grimórios, Magia na Antiguidade, Cabala Crioula (Quimbanda), Feitiçaria, Bruxaria e Magia Negra (Caminho da Mão esquerda), Filosofia, Yoga, Tantra, Āyurveda e Xamanismo. Fernando de Ligório se interessa em preservar a Tradição Ocidental de Mistérios (ou Tradição Oculta da Magia) através de seus cursos, palestras, assessoria espiritual e consultas.

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