CURSO DE FILOSOFIA OCULTA

Módulo 1: Magia na Antiguidade

Apresentação

Desde a Antiguidade, o termo magia tem ganhado conotações pejorativas e tem sido associado a prestidigitação e trapaças de todos os tipos. Tanto mageia quanto goēteia eram sinônimos de feitiçaria, um tipo de prática mágico-cerimonial de caráter inferior devido às inclinações particulares de quem pratica, e não pelos métodos ou procedimentos que se realiza, muito embora esse também seja um tema deveras debatido. O Séc. III d.C. apresentou uma disputada questão na taxonomia e na definição de suas práticas e qualidade de ritual.

Magia, do grego mageia, é a arte dos magos, do grego magus. O termo foi amplamente utilizado em toda região do Mediterrâneo desde a Antiguidade e talvez antes. A palavra magus vem da palavra persa magoi, referência a um posto sacerdotal ou alguém letrado em assuntos religiosos, não havendo diferença entre magia e religião nesse tempo. Foi de Heródoto (485 a.C.) os primeiros relatos sobre os magoi, sacerdotes persas responsáveis pelos sacrifícios reais, ritos fúnebres, divinação por oráculos, interpretação de sonhos, especialistas em maldições, profecias, encantamentos, conjuros e tudo o que concerne aos deuses. Platão também fala sobre os magoi em seu apócrifo Alcebíades (122a) ao citar os professores dos jovens persas: O primeiro desses mestres ensina a ciência dos magoi, o saber mágico de Zoroastro, filho de Horomazes, inclusive a veneração de seus deuses, e o saber que cabe a um rei. Os magoi eram os paidagogos persas, os condutores das crianças, quer dizer, seus educadores. Platão continua: o mais justo o ensina a ser autêntico por toda sua vida; o mais autocontrolado a não ser dominado sequer por um só prazer, para que ele possa se acostumar a ser um homem livre e um genuíno rei, cuja primeira obrigação é ser senhor e não escravo de si mesmo; o mais corajoso o prepara para ser destemido e intrépido, ensinando-lhe que o medo é uma forma de escravidão. Os magoi na Pérsia, dessa maneira, eram tutores reais escolhidos por serem mais sábios, justos, corajosos e autocontrolados, sacerdotes da antiga religião persa, o mazdeísmo, tidos em alta estima. É por isso que em seu De Mysteriis Jâmblico no Séc. IV d.C. prefere associar a goēteia ao goēs (feiticeiro) e não ao magoi, preservando a interpretação positiva do termo mageia. Por outro lado, Santo Agostinho (354-430 d.C.) no mesmo período pretende estabelecer a superioridade da cristandade denegrindo a teurgia dos filósofos, a mageia dos sacerdotes persas e a goēteia dos feiticeiros andarilhos como artes malignas. Antes de a cristandade tornar-se uma religião estatal, muitos de seus aderentes, incluindo o próprio Jesus Cristo, eram acusados de praticarem mageia. Santo Agostinho pretendia, portanto, purificar o cristianismo completamente desta mácula. Seus escritos tornaram-se pedra angular das fundações da cristandade e suas considerações sobre as diversas criaturas espirituais (demônios | daimones) do reino-sub-lunar e submundo ainda são aceitas pelos exorcistas oficiais da Igreja de Roma. Santo Agostinho acusou toda deidade pagã, deuses e daimones, de serem demônios disfarçados (veja os seus A Cidade de Deus e A Divinação dos Demônios).

Foi Lúcio Apuleio (125-170 d.C.) o primeiro a usar a passagem de Platão acima para defender a honra dos magoi persas em detrimento das acusações por feitiçaria e a prática clandestina de oráculos. Os gregos e romanos dos Sécs. I e II d.C., na grande maioria, tinham os magoi como bondosos sacerdotes persas. Apolônio de Tiana (15-100 d.C.) criticava duramente a competência espiritual dos magoi. Enfrentando todas as críticas, julgamentos morais e preconceitos, a magia (ou a imagem dos magoi persas) sobreviveu até os dias de hoje por sua preservação, podemos dizer platônica, através dos tempos, graças a indivíduos como Apuleio. E os persas eram especialmente críticos com os magoi, cobrando deles as virtudes descritas por Platão acima. Dário I (550-486 a.C.) na Inscrição de Behistum diz: Esmérdis é um falso magoi, um maguš. Neste contexto, a palavra maguš aparece como uma emulação do verdadeiro magoi, uma espécie de Macaco de Thoth que emula (imita) Thoth como um arquétipo perfeito do mago. Como o macaco não possui o intelecto desenvolvido representado por Thoth, ele apenas emula, engana, dissimula a realeza de um mago. O maguš é um Macaco de Thoth, diferente do magoi que representa Thoth.

Mas entre os gregos e romanos do Séc. IV d.C. já havia uma visão bem diferente destes sábios magoi dos primeiros séculos. Após o Séc. III d.C. iniciou-se um grande debate (e perseguição) sobre a validade da mageia (aqui já identificada como feitiçaria ou goēteia) em detrimento da fé cristã que se espalhava por todo o Mediterrâneo. Após dois séculos de embates, gregos e romanos no Séc. IV já depreciavam e condenavam completamente a prática da mageia.

 

O Módulo 1 do CFO (Curso de Filosofia Oculta) trata-se de uma imersão profunda na mageia da Antiguidade como praticada e interpretada pela Tradição Hermética de Mistérios, o que implica um refinamento de seu exercício, distanciando-a das interpretações pejorativas construídas ao longo dos séculos. Desde a primeira lição do curso, mageia é compreendida dentro do contexto iniciático da prática mística e filosófica especulativa do Corpus Hermeticum atribuído a Hermes e a aplicação da magia como delineada nos Papiros Mágicos Grecos. Nas palavras de Peter Kingsley em seu artigo Conhecer para Além do Conhecer: O Âmago da Tradição Hermética ressalta a diferença entre a prática mágica hermética e a feitiçaria: No centro da tradição Hermética reside a necessidade de um determinado tipo de conhecimento: gnose, ou conhecimento do divino. Isto é algo inteiramente diferente dos tipos formais de conhecimento, que nos separam e distanciam do que julgamos que sabemos.

Ao explorarmos a magia e feitiçaria na Antiguidade, vamos construir pontes entre a prática dos feiticeiros do passado e os feiticeiros de hoje. A goécia é apresentada como um estilo de vida, muito distinta da padronização ou estruturação salomônica medieval. Essa padronização medieval encanta muitos magistas de hoje, seja na sua aplicação tradicional ou na suas diversas adaptações modernas. Mas goécia, tecnicamente, está muito longe dessa padronização medieval e já está presente na história da magia desde seus primórdios, quer dizer, como um estilo de vida a goécia é muito anterior a sua padronização salomônica. Nós compararemos, por exemplo, a goécia dos Papiros Mágicos Gregos com a goécia brasileira (Quimbanda). Nesse tipo de comparação nós tomaremos muito cuidado, pois as entidades da Quimbanda (Exus/Pombagiras) não são os diversos daimones da feitiçaria grega, mas eles compartilham de semelhanças e é isso que destacaremos, além das técnicas utilizadas para convocá-los.

Sobre o curso

O Curso de Filosofia Oculta (CFO) é um seminário on-line permanente em módulos de 12 meses ministrados pelo Professor Fernando de Ligório:

Módulo 1: Magia Hermética (ou Magia na Antiguidade)

Módulo 2: Teurgia Clássica Neoplatônica

Módulo 3: A Filosofia Oculta de Agrippa

Módulo 4: Grimórios Medievais

Módulo 5: Feitiçaria Brasileira (Quimbanda)

Nós decidimos ampliar bastante o currículo do curso, fazendo dele um seminário permanente sobre Filosofia Oculta na intenção de prover uma formação de base para a prática da magia. O foco é a magia e feitiçaria como estilo de vida daimônico, quer dizer, o contato com espíritos. A tradição moderna da magia se distanciou completamente dos Arcanos de Mistério contidos na Tradição Esotérica Ocidental. Na medida em que o mago se alinha verdadeiramente a tradição da Arte dos Sábios, gradativamente ele migra dos grandes centros e apartamentos no alto dos arranha-céus e parte para o campo ou a floresta ou, no mínimo, uma casa onde possa se manter mais isolado, plantando e cuidando das ervas que utiliza em sua arte.

O Professor Fernando de Ligório já iniciou as instruções do curso. Como este é um seminário on-line permanente, você pode se escrever a qualquer momento e começar a participar de nossas aulas coletivas. Estará a sua disposição as aulas já ministradas e a lições em PDF.

A intenção do Módulo 1 (primeiro ano) é oferecer um programa de treinamento que inclui estudo e prática no que conveniou-se chamar de Magia Hermética. O módulo explora a prática da magia (mageia | goēteia) como praticada no Mundo Antigo, centrada nos Papiros Mágicos Greco-Egípcios. Este é um sistema hermético de magia comumente definido como feitiçaria. A goēteia ou goécia é uma tecnologia espiritual de tipo inferior, não em um sentido moral, mas porque é a mais fácil de ser executada e a que proporciona resultados mais rápidos. Por conta disso, a goécia tem sido identificada como a arte dos enganadores, feiticeiros e falastrões sem conexões espirituais profundas. Por exemplo, é possível encontrar a prática da goécia até em escolas tântricas budistas de elevado cunho filosófico. Os budistas tântricos utilizam de truques mágicos para àqueles que falham em compreender a natureza ilusória da existência. Dessa maneira, a goécia no sentido mais amplo do termo – que não se limita somente a entidade telúricas, mas também ctonianas, como compreendido pela tradição mágica greco-egípcia – é, às vezes, uma tecnologia necessária a ser utilizada para obtenção de resultados rápidos e eficientes. goēteia não se trata de uma arte para espiritualização. Muitos estão enganando ou estão sendo enganados ao dizerem que a goēteia trata-se de uma arte para espiritualizar (ou salvar) a Alma. Antes disso, a goēteia é uma tecnologia da tradição mágica para se realizar proezas taumatúrgicas através de um demônio (daimone). 

A goēteia é o fim do caminho, não o início. Existe hoje uma miríade de youtubers vendendo cursos de goēteia, às vezes em preços exorbitantes, pois seu apelo aos jovens incautos é deveras intenso. No entanto, o que eles não têm ensinado – até porque não é ensinado nem nos grimórios – é que os demônios (daimones) têm a sua maneira de operar, distinta das parcas informações disponíveis nos grimórios. Além disso, eles não avisam o caminho de vício que a prática da goēteia pode levar. Você conhece algum feiticeiro que não seja viciado na sua arte? Os demônios da goēteia exercem uma influência anatrópica na Alma humana, tornando ela apegada a prática da goēteia. Originalmente, essa era uma arte para lidar apenas com os mortos (mecromancia ou necrurgia). Somente com o tempo ela tornou-se uma arte para lidar com demônios diversos e até O Testamento de Salomão, produzido por volta do Séc. III d.C., os demônios eram tidos apenas como criaturas cuja existência era orientada em causar o mal, produzir pestes e desolações, doenças e mortes. Foi somente após O Testamento de Salomão que demônios começaram a ser utilizados para fins positivos. Outro fator que esses youtubers não têm ensinado, é a degeneração do corpo e do aparato mental que a goēteia produz. O contato com demônios costuma trazer mazelas psíquicas, emocionais e físicas àqueles que mantêm uma prática assídua. Isso significa que existem riscos reais ao lidar com os demônios da goēteia, pois uma vez iniciada a prática, eles não esperam por rituais para contatar o mago conjurador, agindo por si mesmos diversas vezes.

Por trazer resultados rápidos, motivo pelo qual lida com entidades telúricas e ctonianas, a goécia tem sido praticada de forma distinta desde a Antiguidade e hoje em dia essa diversidade tem aumentado, mas infelizmente carecendo da ciência adequada aplicada pelos antigos sacerdotes. O feiticeiro ou goēs, como é conhecido o praticante de goécia, utiliza elementos físicos para manipular a matéria astral protoplasmática em acordo com sua vontade e essa é uma definição clássica do termo feitiçaria. No curso desse entendimento, a goécia está muito mais próxima da feitiçaria do que da teurgia e o praticante de goécia está muito mais próximo do feiticeiro do que do mago ou teurgo.

Programa para o Módulo 1: Primeiro Ano

O CFO é ministrado via lições em PDF:

Lição 1: História do Hermetismo (lição pronta)

Primeira Parte: O Hermetismo no Curso da História

Origens; Síntese Hermética; Raízes Helênicas e Egípcias; A Tradição Hermética Antiga;

A Tradição Hermética Medieval; A Tradição Hermética Moderna e Pós-Moderna;

A Síntese Hérmética: egípcia, helênica, iraniana, gnóstica, semita e cristã.

Segunda Parte: Introdução a Magia-Greco-Egípcia

Suméria; Babilônia; Egito; Grécia; Hebreus; Cristianismo; Zoroastrismo; Mitraísmo;

Gnosticismo; Neoplatonismo; Hermetismo; Serapismo; Hinos Órficos; Hinos

Homéricos; Os Nomes Bárbaros de Evocação; Tecendo os fios da tapeçaria

Greco-Egípcia.

Terceira Parte: A Preparação para Magia Greco-Egípcia (#1)

A Hierarquia Celestial; Mageia & Goêteia #1.

Lições Extras:

Magia: por onde começar?

Os Livros Ocultos de Moisés

Magia #1

Magia #2

Magia #3

O Exercício da Conjuração

Acessando a Filosofia Oculta de Agrippa

Um Elogio a Magia Tradicional Salomônica

A Pomba & a Serpente

Apresentação da Lição 1:

O termo magia – ou a prática da magia cerimonial – vem ganhando popularidade desde o período do Renascimento, que inaugurou uma nova etapa na história da magia. Quando me refiro a história da magia, falo da Tradição Hermética de Mistérios: é impossível falar da história ou mesmo da arte da magia fora do contexto do que se conveniou chamar de hermetismo. O período da Renascença marcou a introdução na Europa de antigas escrituras perdidas, atribuídas a magos conhecidos ou personificações divinas. Um exemplo foi a tradução do Corpus Hermeticum feita por Marcílio Ficino (1433-1944), o que pareceu o ponta pé inicial do renascimento moderno da magia. Até aquele momento, a magia manteve-se reservada, senão preservada, por círculos bem secretos e fechados de magos, principalmente árabes. No entanto, como o Mundo Antigo helenizado possibilitou o intercurso de culturas formando a gênese da Tradição Hermética como movimento histórico, as cruzadas que representaram o maior embate entre cristãos e muçulmanos também foram responsáveis por reintroduzir na Europa o conhecimento esquecido da magia, apagado da história ocidental após a expansão do cristianismo.

   Esse renascer da magia parece ter tomado pleno vigor com o advento do Iluminismo e a propagação do ponto de vista (ou paradigma) cientificista. Mas a influencia iluminista na tradição mágica ou hermética teria uma consequência grave: a magia perdera toda sua beleza e riqueza ao ser influenciada pelo pensamento cartesiano científico. Nos termos aristotélicos, a magia perdeu seu pneuma. A Ordem Hermética da Aurora Dourada marcou o ápice do pensamento mágico aliado ao paradigma cientificista moderno. Claro, de modo bem discreto e moderado, pois a Ordem mantinha uma aura mística rosacruciana, aliando Astrologia, Alquimia, Geomancia e Tarot dentro de uma estrutura daquilo que ficou conhecido como Qabalah Hermética Moderna. Mas foi somente com Aleister Crowley (1875-1947) que a magia uniu-se completamente ao ponto de vista cientificista, rompendo completamente com a visão animista da realidade em detrimento do idealismo científico. Crowley chegou a chamar o seu sistema de teurgia cética,  como oposta radical da teurgia clássica neoplatônica que depende, para seu exercício, da visão animada da realidade.

   Após o advento da Ordem Hermética da Aurora Dourada e seu mais proeminente membro, Aleister Crowley, que dela foi expulso e a partir de então configurou seu próprio sistema sobre os escombros da antiga Ordem, sendo reconhecido como o pai da magia moderna, a maioria das tradições espirituais e ordens que se desenvolveram seguiram uma interpretação idealista da magia, aliada ao pensamento científico moderno.

   E isso constitui um problema!

   Quando um jovem impetuoso começa a se lançar no estudo da Arte dos Magi, o que ele encontra é uma miríade de possibilidades. São inúmeros trabalhos entre monografias e livros publicados e distribuídos gratuitamente na internet. Além disso, há novas possibilidades: o You Tube está cheio de magistas desenvolvendo vídeos e existem milhares de grupos no Facebook e WhatsApp onde todo esse material, mais o convívio com outros magias praticantes, especialistas de alto ou menor grau, possibilita aquisição rápida de informações. Embora isso seja ótimo por uma perspectiva, pois hoje é possível carregar no celular uma biblioteca completa de magia, por outro lado a formação do magista sem sido deixada de lado. O resultado é uma leva de magistas medíocres com um conhecimento pífio da Arte, indisciplinados e de mente fragmentada, quer dizer, sem controle ou foco. Se por um lado a magia perdeu seu encanto ao se aliar ao pensamento científico moderno, por outro lado isso também possibilitou uma superficialidade indiscriminada nos magistas modernos. No entanto, os mais sérios têm caído na real, despertado para o fato de que a magia moderna não funciona, carece de vida e é rica em temas pífios. Então dois são os pontos essenciais no início da jornada:

1. Para aprender magia e exercitá-la como os magos da Antiguidade, é necessário redescobrir a visão animada da realidade, quer dizer, começar a olhar o mundo a partir de uma perspectiva animista. No fim dessa lição há um exercício para colocar em prática essa visão animada da realidade. A magia hermética greco-egípcia opera fundamentalmente através dos daimones, criaturas espirituais de inúmeras naturezas: mortos, elementais de todos os tipos, o daimon pessoal etc. Nessa lição você tomará conhecimento de daimones das emoções, das condições ambientais, da estrutura social etc., aos quais deverá entrar em contato íntimo.

2. O início da jornada é um treinamento pessoal. Para se tornar um mago, é necessário empreender um esforço sobrenatural na construção dos fundamentos internos que lhe possibilitarão exercer a magia. Esse treinamento tem o objetivo de despertar suas capacidades paranormais, fundamentais ao exercício da magia. Concentração, visualização, magnetismo pessoal, poder de vontade, divinação etc. dependem de um árduo treinamento físico, mental e emocional. Sem isso é muito difícil conquistar resultados poderosos na magia. Esse treinamento espiritual magístico, no entanto, depende de condições adequadas para ser colocado em prática. Isso tem sido um problema para o magista moderno completamente inserido no estilo de vida tecnológico do mundo de hoje. A condição mais adequada, essencialmente fundamental e preciosa do treinamento mágico é: isolamento total. Poucos são os magistas que podem se isolar completamente hoje. Por isso muitos têm participado de retiros mágicos com seus professores. Nesses retiros há uma oportunidade singela do aluno estar mais próximo do professor, aprendendo diretamente com ele na prática. O treinamento mais adequado é esse: o professor ensinando o aluno dentro de uma estrutura de conhecimento que o possibilite transformar-se completamente.

Se você está no início da jornada na Arte dos Magi, desde agora esteja consciente que por trás do corpo de conhecimento produzido pelos magos da Renascença e Iluminismo até os dias de hoje, no que se conveniou chamar de magia moderna, existe um sistema de prática mágica que é a gênese da magia cerimonial como a entendemos. A parte deste sistema que lida diretamente com a magia cerimonial são uma coleção de papiros que ficaram conhecidos como Papiros Mágicos Greco-Egípcios. Trata-se de uma coleção de textos altamente sincréticos que unem em seu exercício mágico as técnicas da magia como praticada na Grécia, Roma, Egito e Pérsia, mais o Cristianismo Copta e o Gnosticismo. Essas técnicas de magia greco-egípcia, como ficaram conhecidas, utilizam basicamente uma fusão de feitiços e encantamentos com a convocação de daimones diversos (goēteia).

   O que realmente deu consistência a magia cerimonial medieval elucidada por Agrippa e sistematizada nos grimórios foi a união da tradição judaica-cristã e suas hierarquias angelicais as invocações e métodos greco-egípcios que, nos dias de hoje, parecem tipicamente inspirados na Cabala Crioula. Foram os magos cristãos-coptas que inspiraram toda prática da magia cerimonial como a conhecemos nos dias de hoje, herdeira de Agrippa e dos grimórios medievais. Essa sistematização está completamente distribuída nos papiros e nos oferece uma prática consistente destinada a conquistas espirituais e sucesso material através de invocações e evocações.

   Como verá nessa lição, existe uma diferença tangível entre o mago e o feiticeiro. Não vou me adiantar nessa questão aqui mas, fundamentalmente, um mago está completamente inspirado a trabalhar sobre si mesmo, diferente da caricatura típica do feiticeiro. Desde a Antiguidade ou antes, desde o Séc. VI a.C., já se discutia a distinção entre esses dois personagens. Nós vamos ver isso com detalhes, nessa e nas próximas lições. Mas o que é relevante aqui é que o mago é orientado por princípios herméticos genuínos e isso o distancia do feiticeiro. Ao viver em harmonia com princípios herméticos genuínos, o mago estabelece uma ética e moral para si mesmo que o harmonizam com o cosmos e são fundamentais ao seu desenvolvimento magístico.

   Que essa possa ser a sua trajetória...

   Essa lição foi dividida em três partes. A Primeira Parte: O Hermetismo no Curso da História, oferece uma introdução ao desenvolvimento da Tradição Hermética de Mistérios de sua gênese aos dias de hoje. É uma discussão altamente relevante no início da jornada, pois ao assumir a magia como um estilo de vida, você precisará se localizar no tempo e no espaço, compreender as raízes de tudo aquilo que pratica e acredita. Como esse é um tema complexo que envolve muitas matérias distintas, de cosmologia a antropologia, nós estenderemos esse assunto para as próximas lições também.

   Na Segunda Parte: Introdução a Magia Greco-Egípcia, a intenção foi demonstrar como a magia dos papiros envolve uma gama de tradições espirituais e técnicas de magia de forma sincrética, provendo um olhar mais íntimo sobre essas tradições.

   Na Terceira Parte: A Preparação para a Magia Greco-Egípcia, nós tratamos da teoria por trás da magia greco-egípcia e continuaremos essa discussão nas próximas lições. Nessa lição, especificamente, começamos a examinar a mecânica por trás das convocações mágicas e do método desenvolvido pelos papiros, cuja influência é completamente egípcia.

   Bom estudo e nos vemos nas aulas!

Lição 2: Síntese Hermética (lição pronta)

Primeira Parte: A Síntese Hermética

A Tradição Egípcia; A Tradição Grega; Apolônio de Tiana, Apuleio de Madura; Plotino de Roma; Porfírio de Tiro; Jâmblico de Cálcis; Juliano o Filósofo; Proclo Diádoco; A Tradição Persa; A Tradição Gnóstica; Simão o Mago; A Tradição Semita; A Mesopotâmia; Israel; A Magia no Velho Testamento; A Magia na Época de Jesus; A Tradição Cristã; Jesus: Messias & feiticeiro; A Grande Síntese Hermética.

Segunda Parte: A Preparação para Magia Greco-Egípcia (#2)

Estrutura Ritual; Estrutura Ritual dos Papiros Mágicos Greco-Egípcios; Estrutura Ritual de Agrippa; Procedimentos Rituais no Curso da História.

 

Lições Extras:

Magia Astral & Magia Tradicional Salomônica

Os Primórdios da Magia: do Xamanismo Paleolítico a Tradição Salomônica (#1, #2 e #3)

Oração, Ritual & Comunicação Espiritual

Do Daimon Assistente ao Sagrado Anjo Guardião (#1, #2 e #3)

A Demonologia de Porfírio de Tiro

A Doutrina Soteriológica do Paredros

O Espírito de São Cipriano #1: A Feitiçaria Medieval de São Cipriano

O Espírito de São Cipriano #2: Seção I. Cipriano o Mago

                                                    Seção II. Sintonização com a Tradição Cipriânica/Oratio Cypriani

                                                    Seção III. Minha Jornada na Tradição Cipriânica

                                                    Seção IV. A Tradição Cipriânica da Magia

                                                    Seção V. Convocação do Espírito de São Cipriano como Deidade Tutelar

O Espírito de São Cipriano #3: Em Busca do Berço da Tradição Cipriânica

O Espírito de São Cipriano #4: Demonologia Cipriânica

O Espírito de São Cipriano #5: A Influência de São Cipriano na Magia Brasileira

O Espírito de São Cipriano #6: Ochēma, Exu & Sagrado Anjo Guardião

O Espírito de São Cipriano #7: O Paredros & o Exu Pessoal

O Espírito de São Cipriano #8: Feitiçaria-Kimbanda & o Culto ao Diabo

O Espírito de São Cipriano #9: Feitiçaria-Kimbanda & o Caminho da Mão Esquerda

O Espírito de São Cipriano #10: Ars Nigra

O Espírito de São Cipriano #11: O Exu Pessoal & o Sagrado Anjo Guardião

O Espírito de São Cipriano #12: A Mulher de Branco (Minha Iniciação na Quimbanda Cruzada)

O Espírito de São Cipriano #13: Teurgia, Goécia & Quimbanda

O Espírito de São Cipriano #14: Exus não são Demônios

O Espírito de São Cipriano #15: Em Defesa de São Cipriano

O Espírito de São Cipriano #16: A Influência Cipriânica na Quimbanda Brasileira #1

O Espírito de São Cipriano #17:A Influência Cipriânica na Quimbanda Brasileira #2

O Espírito de São Cipriano #18: Vossa Santidade o Maioral de Quimbanda

O Espírito de São Cipriano #19: A Evolução do Conceito & Ideia de Maioral: de Fontenelle a Coppini

O Espírito de São Cipriano #20: A Sacerdotisa de Maioral

O Espírito de São Cipriano #21: A Natureza da Magia Brasileira

O Espírito de São Cipriano #22: Iniciação na Quimbanda

O Espírito de São Cipriano #23: Os Troncos de quimbanda no Brasil

O Espírito de São Cipriano #24: A Cova de Maioral

O Espírito de São Cipriano #25: A Faca & o Corte: Teurgia na Quimbanda

O Espírito de São Cipriano #26: O Sacrifício na Feitiçaria dos Papiros Mágicos Gregos

O Espírito de São Cipriano #27: Maioral, o Pacto com o Diabo & a Magia cerimonial Européia na Quimbanda

O Espírito de São Cipriano #28: As Origens da Tradição Salomônica

O Espírito de São Cipriano #29: A Mulher de Negro (Minha Iniciação na Quimbanda Luciferiana)

O Espírito de São Cipriano #30: No Reino dos Encantados (Minha Iniciação na Quimbanda Tradicional)

Lição 3: Cosmologia Hermética (em produção)

Neoplatônica

Gnóstica

Egípcia

Hermética

Lição 4: Antropologia Hermética

Helênica

Egípcia

Judaica

Cristã

Lição 5: Teologia e Daimonologia Hermética

Os Deuses do Egito

Os Deuses da Grécia

Os Deuses Semitas

Os Deuses Gnósticos e Iranianos

Daimonologia

Lição 6: Stoicheia Hermética

O Sistema Egípcio

O Sistema Grego

O Sistema Cópta

O Estudo das Letras

Nomes de Poder: Fonologia Operativa

Aritmosofia: a Numerologia Hermética

Lição 7: Magia Hermética Operativa . I .

Ferramentas para prática: Altar, Círculo, Robe, Ísis Negra, Trípode, Lâmpada, Tigela, Braseiro, Adaga, papiro.

Consagração das Ferramentas

Estrutura de Rituais

Iniciação nas Tradições Mágicas dos Papiros: Iniciação Preliminar; Operação de Pnoutis o Escriba; Iniciação Órfica; Iniciação Mitraica; O Rito do Não-Nascido; Iniciação de Eleusis; Invocação do Daimon Pessoal.

Lição 8: Filacteria

Talismãs de Proteção

Lição 9: Invocações Herméticas

Lição 10: Anel de Poder

Lição 11: Controle da Sombra

Projeção da Sombra

Proteção da Sombra

Lição 12: Oráculos & Divinações

Divinação na Tigela

Divinação no Cristal

Divinação no Fogo

Divinação na Forma Corporal

Oráculos & revelações Oníricas

Visão & Revelação

Lição 13: Magia Hermética Operativa . I I .

Ganhando Favores & Presentes

Ganhando Novos Amores

Ganhando Novas Amizades

Atração Mágica & Magnetismo

Causar Separação

Restringir o Daimon Pessoal de um Inimigo

Causar Raiva & Tormenta

Vitória sobre os Inimigos

Transfiguração

Invisibilidade

Todo o programa de magia hermética acima está completamente em acordo com a prática da mageia na Antiguidade, a fonte do que posteriormente conveniou-se chamar apenas de goécia na Idade Média. Este programa pode ser reformulado para atender as necessidades dos alunos no decorrer do curso.

Participação

O CFO é um seminário on-line permanente ministrado pelo Professor Fernando de Ligório e está aberto a todos os praticantes de magia, sejam eles iniciantes, intermediários ou avançados. Requisito mínimo: 18 anos no ato da matrícula.

Como participar do CFO

O Curso de Filosofia Oculta é ministrado pelo Professor Fernando de Ligório, que tem 30 anos de estudo e prática na Arte dos Magi. Ele está disponível apenas no planode:

  • Pagamento anual: R$1000 (desconto de R$200)

Para participar entre em contato com o professor Fernando de Ligório por e-mail ou WhatsApp.

FERNANDO DE LIGÓRIO

Fernando de Ligório é um hermetista praticante, escritor interessado em Teurgia Neoplatônica, Tradição Salomônica e dos Grimórios, Magia na Antiguidade, Cabala Crioula (Quimbanda), Feitiçaria, Bruxaria e Magia Negra (Caminho da Mão esquerda), Filosofia, Yoga, Tantra, Āyurveda e Xamanismo. Fernando de Ligório se interessa em preservar a Tradição Ocidental de Mistérios (ou Tradição Oculta da Magia) através de seus cursos, palestras, assessoria espiritual e consultas.

CONTATO

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